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A crise de 1929

Atualizado: 31 de mai. de 2022

A bolha que abalou o Mundo






A nova potência mundial, os Estados Unidos da América, emergiu principalmente devido a primeira guerra mundial. Inicialmente, declarando neutralidade, os americanos financiaram 3 bilhões de dólares para França e Inglaterra, que eram seus aliados, e além disso, se tornaram seu principal fornecedor de armas, munição e alimentos, o que corroborou em um crescimento considerável para produção industrial e renda do país. Após um grande dilema, o presidente Wilson, decidiu entrar na guerra, em meados de 1917, o que contribuiu para finalizar o que foi chamada "A última guerra das guerras", em 1918.



Na década de 20, após uma recessão mundial pós-guerra, a economia americana experimentou o que seria um dos maiores crescimentos da sua história. A produção industrial alta, a estabilidade nos preços e a redução do desemprego, desencadearam uma era do consumismo, destacado pela ascensão da abastada classe média. Em 1928, 9 a cada 10 famílias tinha um automóvel, que seria o principal catalisador do crescimento até então, mesmo que adquirido através de endividamento, por meio de parcelas. Quase todas as pessoas daquela época estavam endividadas, a concessão de crédito era muito simples e pouco regulada.



O presidente Calvin Coolidge, que assumiu após a morte de Warren G.Harding, defendia o livre comércio e a livre iniciativa, com a mínima intervenção do estado. Os EUA se equipararam a produção da Inglaterra nesse tempo, sendo alcançada principalmente pela a produção em massa criada por Henry Ford. Toda essa produção potencializou o crescimento real da renda per capita. Devido a essa bonança, a maioria das pessoas criou um desejo de ficar rico rápido e sem esforço. A partir daí, que começou o problema.



Através desse pensamento, o mercado financeiro se tornou o principal instrumento de especulação e expectativa de ganhos extraordinários. Como após a guerra as ações estavam descontadas, dariam grandes chances de juros e lucros no futuro. As pessoas que não tinham acesso ao mercado financeiro, com o crédito facilitado pelas corretoras, começaram a comprar na margem. Essa prática se espalhou com facilidade, pois ações naquela época só subiam. O valor real das ações ou bens não importava mais, mas sim o quanto poderiam aumentar de preço e trazer lucros.



Nesse processo, o setor agropecuário não acompanhou a abastada indústria automobilística, com a queda na compra de alimentos advinda da Europa, os preços de alimentos despencaram. Essa queda trouxe grandes problemas para o setor, principalmente para os fazendeiros que não conseguiam mais pagar seus empréstimos aos bancos. Em 1926, uma das práticas de especulação imobiliária explodiu, adveio da desvalorização repentina de terrenos na Flórida. Terrenos sem valor, eram vendidos por preços exorbitantes devido à expectativa do aumento de turistas, através de promessas de compra (compradas com uma entrada de 10% do valor do terreno), que poderiam ser vendidas a qualquer momento.



Essa explosão gerou uma desacelerada na especulação que acontecia até então, porém, em 1927, após dados de queda do índice industrial e intenção de empréstimos à Europa, o Federal Reserve reduziu a taxa de juros básica, o que estimulou a retomada do crescimento do mercado especulativo a proporções astronômicas. Somente naquele ano, foram negociados por volta 577 milhões de títulos. Em 1928, assume como presidente, Robert Hoover, ex-secretário do Tesouro Americano, considerado o arquiteto da prosperidade. Ele assume o país com uma economia em ascensão, porém com duas pólvoras ocultas que anunciavam um desastre sem limite, o crédito instantâneo e a falta de regulação da bolsa, que já estava fora de controle.



Até que em outubro de 1929, a bolha especulativa de Wall Street explodiu, os títulos da bolsa de Nova York tiveram uma queda abrupta, causada por um pânico generalizado, todos tentavam vender as ações que possuíam. O mercado perdeu 4 bilhões de dólares naquele dia. O pior estaria por vir na chamada terça-feira negra. Os corretores eram acostumados a vender as ações na margem através de empréstimos feitos por bancos, os quais exigiram o pagamento devido aquela circunstância. Para pagar os bancos, os corretores cobraram as dívidas de seus clientes, que para pagarem os corretores, tiveram que vender as ações a qualquer preço. Na terça-feira negra, os corretores e especuladores, venderam mais de 16 milhões de títulos, totalizando um prejuízo de 14 bilhões de dólares



Assustados com toda essa situação, pessoas que tinham economias depositadas em bancos, fizeram uma corrida para tirar seu dinheiro em espécie. Por volta de 9000 bancos quebraram naquela época, gerando uma escassez de credito para as empresas que passavam por aquele tempo turbulento. Essa escassez causou o fechamento de 100 mil empresas. Essas empresas que fecharam demitiram seus funcionários, colaborando para uma queda em cadeia. Pessoas perderam economias de uma vida. Cidadãos orgulhosos outrora, se viam dependentes do auxílio desemprego e das filas de sopa organizadas por associações. O presidente Hoover, que era visto como um herói no início do seu mandato, no final era visto como um injusto pelas multidões sem emprego. O PIB, de 1928 à 1932, caiu de 80 para 40 bilhões de dólares e o desemprego aumentou de 3,2% para 25%, ou seja, 1 a cada 4 trabalhadores estava desempregado.



A grande depressão que se desencadeou foi suportada pelo declínio da atividade industrial, dificuldades agrícolas (como já havia comentado acima), saturação imobiliária e desorganização bancária; Essa grande crise, marca o fim de uma era republicana, sendo eleito o democrata em Frederick Roosevelt, em 1932. O qual não conseguiu sair dessa crise a um passe de mágica, porém conseguiu retomar a confiança do cidadão americano, principalmente no sistema bancário.





.Fontes


Faria, Debora. CRISE DE 1929: CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE O PARTIDO DEMOCRATA E O PARTIDO REPUBLICANO NOS ESTADOS UNIDOS. Orientador: Virgílio Caixeta Arraes. 2016. 94 folhas. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História – Área de Concentração: Sociedade, cultura e política. Linha de pesquisa: Política, Instituições e Relações de poder da Universidade de Brasília, Brasília, 2016.


Documentário A Crise de 1929: Acesso em: https://www.youtube.com/watch?v=msxfuH56wXE


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