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A história do dinheiro > Do Escambo às Moedas Digitais

Atualizado: 2 de mai. de 2022


Falar sobre dinheiro é de certa maneira subjetivo, porém existe um senso comum. A pergunta aqui é: O que é o dinheiro? As respostas podem ser das mais variadas, pois vai depender das suas crenças e valores. Sendo simplista, o dinheiro é algo que trocamos para podermos obter aquilo que necessitamos e desejamos.



O valor do dinheiro é estabelecido pela fé de várias pessoas no poder da troca do mesmo. Sem a crença e confiança das pessoas neles, não passaria de um papel ou de um número na tela. Portanto esse dinheiro que almejamos e possuímos, só tem valor porque outras pessoas acreditam nisso, e por ser autenticado por uma autoridade monetária.



O dinheiro sempre foi assim? Não, e acredito que possamos em breve passar por uma transformação na maneira de representá-lo. Para entendermos como chegamos na condição atual, precisamos falar da história da humanidade desde os seus primórdios. Como assim? O que o homem das cavernas tem a ver com dinheiro?



Inicialmente o ser humano era caçador, coletor e nômade. Não permanecia em uma região somente, vivia em um lugar até que a caça, os grãos, frutas e vegetais acabassem. Nessa época, não existia o dinheiro, as pessoas comiam do que buscavam durante o dia, ou seja, independentemente, o bando compartilhava sua comida. A hierarquia social, acredita−se, por observação de comunidade indígenas atuais, que era definida por aquele que tinha mais força para caçar, os mais fortes dominavam. Supõe−se que tenhamos a mentalidade do caçador coletor até nos dias atuais.



Com o passar do tempo e o fim da era glacial, disponibilizou−se uma abundância para o maior predador da terra, o homo sapiens. O aumento populacional foi inevitável. Nesse interim, alguns começaram a aprender através de tentativa e erro a arte de plantar e cultivar plantas, porém não se desenvolveu. Ao passar por um curto período de frio e seca, pós era glacial, aquela explosão populacional gerada pela prosperidade passada, faceou um grande problema da escassez de alimentos. A partir daí a agricultura e pecuária se desenvolveram bastante, não como uma escolha, porém como a única alternativa para sobreviver. O desenvolvimento dessa prática foi tão grande que a comida passava a ser vista como algo similar ao dinheiro que temos atualmente.



Aqueles donos de terras férteis eram os dominantes na hierarquia. Os que não possuíam terras, não viam outra alternativa a não ser trabalhar para àqueles em troca de comida. Daí surgiram os serviços especializados, que é a organização do trabalho que temos até hoje. Os melhores em seus trabalhos, tendiam a receber mais comida de seus senhores, como recebiam mais que consumiam, começaram a acumular “riqueza”. Através desse excedente puderam trocar com outras pessoas por algo que precisavam ou almejavam. Surgiu−se a prática do escambo.



Os babilônios, vendo que esse escambo era trabalhoso demais, criaram um sistema interessante. As pessoas podiam guardar seu excedente de comida nos celeiros do rei e em troca recebiam um tablete de argila, descrevendo a quantidade e o local que estava. Dessa invenção surgiu o princípio dos empréstimos e dos juros compostos. Porém como o lastro dos tabletes eram alimentos, que não duravam muito, esse sistema era ainda um pouco frágil.






Vai acompanhando a história, pois será importante para entender o dinheiro como o vemos hoje.



Para resolver esse problema da durabilidade do lastro, algumas comunidades usaram sal, ossos de peixe, conchas e aves raras, mas nada funcionou tão bem quanto os metais. Os metais normalmente usados foram o cobre, bronze, prata e por fim o ouro. Existem registros de 10000 AC de egípcios registrando preços de mercadorias através deles. O que tornou essa prática insustentável foi a necessidade de uma balança e além disso, as possíveis trapaças por parte de vendedor e comprador.



Como essa situação poderia ser resolvida?



Esse problema foi resolvido em 600 AC, na Lídia, localizada na região do que é a Turquia atualmente. O governo cunhou os metais preciosos no formato de pepita com peso, grau de pureza pré−estabelecidos e com o seu selo de autenticidade. É importante destacar que nesse momento o governo entra como aquele que chancela e traz confiança para o dinheiro. As pessoas com mais confiança no dinheiro, negociam mais, o que enriquece a comunidade.



No entanto, apesar de ter resolvido a questão da confiança, os metais eram limitados. O dinheiro para ser cunhado dependia da disponibilidade de metais, o que nem sempre acontecia. Então, em 594 AC, em Atenas na Grécia Antiga, Sólon, um aristocrata que foi ao poder em meio a uma grande crise econômica, trouxe uma solução que é utilizada por governos na era contemporânea. Com a falta de metais, ele usou metais menos nobres na liga das moedas, porém como tinham o selo do governo não foi nem percebido. Sólon resolveu sua crise interna e nos deu a versão do dinheiro atual.



Como assim? Depois de Sólon o mundo teve várias moedas...

Sim, tivemos várias moedas, porém o dinheiro não mudou sua lógica, desde então, seu valor está na autenticidade outorgada pelo governo, independente do material que seja fabricado.



Moedas digitais



A ruptura desse sistema, vem de 13 anos atrás, quando um grupo de programadores lançam o Bitcoin, que é uma moeda digital privada que não é controlada por nenhum governo. Seu valor está na livre oferta e demanda, ou seja, está na crença das pessoas com relação ao seu valor, além de ser limitado a 21 milhões de unidades. Sendo esses dois pré-requisitos para ser dinheiro: todos terem demanda e ser escasso.



Os bancos centrais percebendo o aumento da força desse movimento e com a intenção de manter seu grande poder, começaram a cogitar a criação de suas próprias moedas digitais (CBDC). A ideia principal é que em vez de a casa da moeda imprimir o dinheiro, o banco central criaria códigos que representariam uma unidade da moeda, os quais transitariam através de uma rede tipo blockchain. Essa rede, faria o registro de todo o caminho do dinheiro, desde sua criação.



O grande inibidor dessa evolução é que não seria mais possível para os bancos comuns lidarem com os empréstimos como fazem atualmente, os multiplicando o dinheiro de forma virtual. Essa modificação faria um caos na economia. Para se ter uma ideia, no Brasil, o dinheiro virtual representa quase o dobro do dinheiro real ou em bits das contas correntes, poupanças e aplicações. Você já consegue enxergar essa evolução?



Escrito por Wallace Chaves.






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