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Mito do Investidor x Mito do Empreendedor

Atualizado: 2 de mai. de 2022



Você já deve ter ouvido várias vezes essa pergunta nas suas redes sociais ultimamente: Você almeja ter liberdade financeira, geográfica e de tempo? A resposta de praticamente todas as pessoas é sim, esse é um ótimo gatilho para prender a sua atenção. Não há nenhum problema nisso, no entanto, é importante discernir o que vem depois. Pois abordar o que pode levar a conquistar isso é diferente de como você pode conquistar.



Os assuntos preferidos nesse arcabouço do marketing são as personas idealizadas do Empreendedor e Investidor. Sim, a maioria das pessoas que conquistam as liberdades, possuem esses papeis, porém, a grande questão é, como elas chegaram nesse ponto. Quando uma pessoa abre um negócio ou começa a investir em renda variável, as estatísticas não são favoráveis. No Brasil, segundo o IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 50% das empresas não sobrevivem mais de 5 anos e por volta de 70% das empresas não sobrevivem mais que 10 anos. Um estudo divulgado pela FGV(Fundação Getúlio Vargas), o qual visava acompanhar o desempenho de “daytraders” no Brasil, mostrou que em um período de 5 anos (2012 à 2017), 54% das pessoas tiveram um lucro bruto mensal negativo, ou seja, perderam dinheiro no período considerado e apenas 5% deles tiveram um bom desempenho (ganhos acima de 10 mil reais por mês).



O mito do empreendedor



O empreendedor é muito raro.
O empreendedor é muito raro.

No caso do mito do empreendedor, como citado acima, existem pessoas que conquistam as liberdades por meio desse caminho, porém como toda jornada, existem grandes obstáculos e como na sua maioria as pessoas não estão preparadas, são forçadas a desistir. Para entendermos porque criaram um mito é preciso responder uma pergunta:



Por que a maioria das pessoas abrem os seus negócios?



Pensando de forma romântica, a resposta poderia ser a realização de um sonho, um empreendedor que busca o lucro, arriscando seu capital. Esse é o senso comum a respeito do assunto, por isso o autor americano Michael E. Gerber criou o termo “Mito do Empreendedor” como título do seu primeiro livro há 36 anos atrás. Após 25 anos de trabalhos e pesquisas ele constatou que a razão para a alta taxa de fechamento dos negócios nos Estados Unidos, seria pela falta de uma visão empreendedora. Segundo ele, o indivíduo possui vários papeis em sua vida e o empresário não é diferente, sendo que para ele, três papeis são cruciais: o técnico, o administrador e o empreendedor.



Técnico



O técnico é o papel focado no presente, está sempre preocupado, gosta de fazer uma coisa de cada vez. É individualista, tem a ideia de que se quer algo bem feito, faça você mesmo. Ele tem o costume de humanizar o trabalho, desconfia de quem trabalha com ele, ou seja, o administrador e o empreendedor, considerando os um problema.



Administrador



O administrador é o papel focado no passado, está sempre reclamando, as pessoas são um obstáculo para seu objetivo. Ele é organizado, se apega ao status quo, confia no sistema do negócio e quer manter as coisas como sempre foram, não é muito aberto a mudanças.



Empreendedor



O empreendedor é o papel focado no futuro, enxerga o futuro através da lente dos seus sonhos. Gosta de ter o controle do negócio, possui uma personalidade criativa, e a mudança e inovação são uma necessidade. Encontra as melhores oportunidades fazendo as perguntas certas para o negócio. Lida com a empresa como se fosse grande, mesmo quando ainda está no seu começo.



A pergunta é: O que seria esse mito do empreendedor?



Gerber defende que o equilíbrio desses papeis na figura do empresário é de vital importância para sobrevivência e longevidade dos negócios. Segundo ele a maioria das pessoas tem 70% de técnico, 20% de administrador e 10% de empreendedor. E essa desproporção se reflete no insucesso da maioria das empresas. Então, o técnico é que mais abre empresas, e não o empreendedor, daí a ideia do mito.



Onde está a causa do insucesso do técnico? Aqueles que abrem suas empresas são muito bons na execução e sempre foram elogiados por seus superiores e clientes. Como considera o chefe e o dono do negócio um problema, em um certo momento, motivado por estar livre deles, decide abrir seu próprio negócio. Essa motivação pode também vir pela influência de algum anuncio a respeito da conquista das liberdades, como citamos no início. A partir daí que começa o problema, como ele é focado no presente, continua a fazer o trabalho que sempre fez, porém quando se dá por conta, ele tem um emprego, onde se torna escravo de um patrão maluco, sua própria empresa.



O empreendedor, que é raro, vê o negócio como seu futuro, a empresa funciona apesar de sua ausência. Para que um negócio tenha a longevidade, o empresário precisa focar em criar um sistema vivo desde sua abertura, e apesar de a execução ser crucial para a sobrevivência, ela sozinha não vai leva-lo a lugar nenhum. Vai nadar, nadar e morrer na praia.



O mito do empreendedor x o mito do investidor


O mito de investidor
O mito de investidor

O que o mito do empreendedor tem a ver com o investidor? A questão é que a pessoa que escolha fazer investimentos, ganha seu rendimento e tem suas sobras, geralmente, ao exercer algum papel profissional que citamos acima: técnico, administrador ou empreendedor. Porém o que atualmente tornou-se uma tendência é vender ideia de que ser investidor é uma profissão muito lucrativa, fazendo a alusão de que pessoas bem-sucedidas são grandes investidoras. Nessa visão, cria-se também o mito do investidor.



Segundo Grahan, no seu livro “O Investidor Inteligente”, existem dois papeis no mundo dos investimentos: o especulador e o investidor. Como citado acima, o estudo da Fundação Getúlio Vargas nos mostra que alcançar o sucesso como especulador é uma utopia, apesar de todos anúncios veiculados na internet. No entanto quero ir além da questão do “daytrader”. Apesar do aumento significativo do número de pessoas na Bolsa de Valores, ainda existem muitos que alocam seu capital de maneira equivocada e imediatista, imaginando serem investidores, porém não o são.


Como assim? A pessoa que investe na bolsa não é investidora?



A questão aqui é que para ser um investidor, a pessoa precisa entender o valor intrínseco de uma ação. Investir de maneira desordenada, ou por sorte, não faz de você um investidor, mas um especulador, que aposta no aumento do preço de uma ação sem levar em consideração o contexto e o negócio. Para ser um investidor é necessário entender de negócios e economia. O investidor tem uma visão de futuro e embarca na visão do empreendedor que controla o negócio, contribuindo para a potencialização do crescimento. Mas se o investidor não tiver um olho clínico com relação a um negócio e não saber perceber se é um sistema vivo, e analisar só números, também entra no papel do especulador. Daí reforça-se o mito do investidor.



O investidor deve entender do negócio que vai investir e além disso entender contexto para que possa proteger seu patrimônio de maneira eficaz e não esquecer que, o que levou ele conquistar sua fortuna não foi o mercado financeiro, porém sua atividade principal, que, normalmente, pode ser tanto um técnico, administrador ou empreendedor.



Escrito por: Wallace Chaves









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